5 de janeiro de 2015

Banquete


Afogado no fogo do seu beijo,
sou pecado, seu escravo, seu querer.
Sou recorte da morte
separado por pedaços seus.

No desprazer da sua partida
lágrimas não seriam desperdiçadas
e ainda que o sofrimento se cale,
serei o mesmo quando amanhecer.

Sou familiarizado com a dor
não há sentimento numa rocha
contudo a ilusão pode ferir.

Sirva-se neste banquete inóspito
que preparei para te ver sorrir
e me deitei para te ver partir.

                        Diego Ferreira


26 de novembro de 2014

Soneto a Melancolia


Onde foram os meus amores,
nessa noite fria de outono
onde meu enfermo coração
Se enche de mágoas e dores?

Sagrado choro dos apaixonados
pela cicatriz que ainda sangra
gotas de sangue velam a esperança
do meu feliz calvário.

A quem dedico minhas lágrimas,
se não a própria sorte!?
Ouço o sorriso sagrado dos anjos
Estancando meus profundos cortes.

E nos murmúrios do meu pranto
minha alma se esvazia
E o que seria de mim,
se não fosse tu melancolia!?

                           Diego Ferreira

19 de novembro de 2014

Cachaça


Sentado na mesa de um bar
embriago-me nas minhas lembranças
mergulhando nas doses de cachaça.

Cacos duma garrafa quebrada
são laminas ali ofertadas
O frio anuncia a madrugada
A ela devo meu sono, profundo...

Que não me veja despedaçado,
me deixa arrumar os cacos
ainda que estejam afiados.

E que o sangue ali derramado
Estanque com o vento que passa
pois não há ressaca
que lhe arranque o passado.

                       Diego Ferreira