3 de março de 2015

Recomeço


Eu que enfrentei o destino,
e por vezes acabei ferido
me pego perdido
na timidez dos olhos seus.

Olhos de nuvem:
dispersos, incertos,
descabidos.

-Como não me perder?

Se tudo quando o quis
ainda que antes do fim,
se perdeu em lágrimas.

E na falta do teu olhar
admiro a lua,
de infinitos caminhos,
semelhantes aos olhos teus.


                         Diego Ferreira









5 de janeiro de 2015

Banquete


Afogado no fogo do seu beijo,
sou pecado, seu escravo, seu querer.
Sou recorte da morte
separado por pedaços seus.

No desprazer da sua partida
lágrimas não seriam desperdiçadas
e ainda que o sofrimento se cale,
serei o mesmo quando amanhecer.

Sou familiarizado com a dor
não há sentimento numa rocha
contudo a ilusão pode ferir.

Sirva-se neste banquete inóspito
que preparei para te ver sorrir
e me deitei para te ver partir.

                        Diego Ferreira


26 de novembro de 2014

Soneto a Melancolia


Onde foram os meus amores,
nessa noite fria de outono
onde meu enfermo coração
Se enche de mágoas e dores?

Sagrado choro dos apaixonados
pela cicatriz que ainda sangra
gotas de sangue velam a esperança
do meu feliz calvário.

A quem dedico minhas lágrimas,
se não a própria sorte!?
Ouço o sorriso sagrado dos anjos
Estancando meus profundos cortes.

E nos murmúrios do meu pranto
minha alma se esvazia
E o que seria de mim,
se não fosse tu melancolia!?

                           Diego Ferreira